Segundo Acidente
2 de Julho de 2009 - 01:11 escrito por Papai corujaFaz pouco mais de seis meses que o Gui sofreu o primeiro acidente dele. Pois bem, quarta-feira passada ele sofreu o segundo. Pra piorar a consciência do pai, eu estava de novo a menos de um metro dele.
Estávamos brincando no apartamento, eu e ele, como sempre faço ao voltar do trabalho e antes de ele jantar. Excepcionalmente não estávamos correndo, que até que é bem comum. Eu só me escondi e ele veio me procurar.
Quando estava chegando na cozinha, onde eu esperava, tropeçou no próprio pé, e caiu com a testa no batente da porta. Pelo som e pela cena, antes de ele levantar e antes de eu examinar, eu já falei para a Paula: Prepara para ir para o hospital.
Pegamos um pano com gelo e colocamos no corte imenso que havia aparecido na testa do coitadinho. Estava sangrando em rios, como é de praxe nesta região. Nos calçamos e cerca de 2 minutos depois do acidente já estávamos no elevador rumo ao São Luiz.
Chegando lá, passamos na frente de todo mundo. Quando tem sangue é “emergência”, que me parece estranho num Pronto Socorro. Eu até entendo, porque hoje em dia Pronto Socorro virou consultório de quem não quer esperar. Qualquer besteira, lá está o povo. O do São Luiz vive lotado.
O primeiro médico que olhou nos deu a opção de esperar pelo cirurgião plástico, já que era em um local aparente o corte. Preferimos esperar mesmo, apesar de ele ter dito que provavelmente não faria muita diferença. Ele pediu também raio-X para ver se não tinha quebrado nada. O cirurgião plástico demoraria uma hora e meia, nos avisou. Passamos então a distrair o Gui, que já havia chorado quando caiu, quando soube que íamos “consertar o dodói”, quando entrou no hospital e quando viu o médico.
A Paula ficou com dó que já estava na hora que ele janta, e trouxe um pão de queijo e suco para ele. Parece irrelevante, mas se tornaria relevante em breve.
Quando o cirurgião plástico chegou, não havíamos feito o raio-X ainda. Ele falou que não tinha problema, mas na verdade não entendeu, achou que só não havia chegado o resultado. Passou a nos explicar como funcionava para dar ponto em criança, e dissemos que infelizmente já não era a primeira vez que estávamos ali para isso. Ele nos deu 3 opções: Cola cirúrgica, que não precisaria de anestesia mas poderia infeccionar com um pouco mais de facilidade; dar pontos fazendo a “múmia” com o Gui, como foi da outra vez; ou levá-lo ao centro cirúrgico e dar anestesia geral, que de acordo com ele muitas famílias preferem para a criança não passar pelo trauma da múmia. Achei totalmente absurdo quando soube disso - há pais que para não sofrerem eles mesmos vendo a criança chorar um pouco, preferem fazê-la passar pelo trauma de uma anestesia geral…
Bem, perguntamos o que ele faria. Ele nos deixou a decisão, mas diante de nossa insistência olhou de novo e decidiu dar pontos mesmo. Foi a sorte.
Veio um enfermeiro ajudar, e enrolamos o Gui no lençol. Ele já começou a chorar e tossir, e nós tentávamos acalmá-lo. O deitamos na cama, eu segurando o peito e braços que estavam amarrados, o enfermeiro segurando a cabeça, a Paula dando apoio pra ele, e o médico dando anestesia. No que ele deu anestesia e o músculo relaxou, os vasos dilataram e começou um sangramento intenso. O coitadinho chorando, sangrando, tossindo, pedindo a mãe, até que…vomitou todo o pão de queijo! Tivemos que levantá-lo para se recuperar, colocar outro lençol, e retomar.
Quando o médico estava fazendo a anestesia, chamou o enfermeiro e disse: Olha, tá vendo o osso? Nem precisa do raio-X. Ele estava vendo o crânio do nosso pequeno, e comentou: - “Ainda bem que fizemos sutura, a cola não ia dar certo.” Ele deu um ponto interno, e mais 4 pontos externos. Quando terminou, nosso pequeno estava molhado de suor, com o cabelinho sujo de sangue e a roupa vomitada. Muito sofrimento para um coitadinho de 2 anos e meio.
Bem, o médico explicou que para não ficar forte a marca (não tem jeito de não ficar nenhuma) temos que proteger muito bem do sol a cicatriz agora. É o que podemos fazer, já que eu como pai não consegui proteger o Gui de mais essa.
O mais triste é pensar que isso só está começando. Ainda bem que ele é bonzinho e calmo, imagine se fosse moleque agitado!






































































